Tomás Paredes

Presidente de AICA Spain

 

El pasado 6 de marzo, en el CPS de Lisboa, fue presentado el Catálogo Razonado de Obra Múltiple de Cruzeiro Seixas, en un acto presidido por el Excmo. Sr. Dr. Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente de la República de Portugal, e integrado por Cruzeiro Seixas, Antonio Prates, María Joao Fernández y Tomás Paredes. Publicamos la intervención de Tomás Paredes.

Portugal é o segredo mais fascinante da Europa. E se Portugal é mágico, porque não o ser Cruzeiro Seixas, tão genuinamente português! Portugal, na era moderna, foi situado no mundo pela dimensão dos seus poetas e dos seus artistas: sobretudo Pessoa; mas também, Eça, Antero, Amadeo, Almada, Manoel de Oliveira, Fernando Lopes-Graça, Cesariny, Torga, Saramago, Vieira da Silva, Eduardo Lourenço, Siza Vieira, Paula Rego ou Cruzeiro Seixas.

Mencionar Cruzeiro Seixas é falar de um ciclone de vida e de esperança, é falar do sentido da própria vida. Ingovernável e grandioso, como o vento, o fogo, a água, os vulcões ou o sol, que nunca conheceu a noite. É falar de poesia, de pintura, da mestria no desenho. Um ser heterodoxo, firme, terno, ardente, claro, puro, caballero no sentido espanhol, humano, imensamente humano.

Hoje, proclamo a figura de um Cruzeiro Seixas universal, publicado no Brasil, França, Itália, Espanha ou Canadá e traduzido em vários idiomas, com presença em revistas internacionais.

Cruzeiro Seixas é o único surrealista português que desde muito cedo teve ligações com o surrealismo internacional, com Aimé Cesaire, logo em 1953. De outras figuras importantes do surrealismo, posso testemunhar a sua grande amizade, e simpatia recíproca, com Eugenio Granell, Edouard Jaguer, Jorge Camacho ou com André Coyné, secretário e confidente de César Moro e que fez o prólogo do primeiro livro de poemas de Cruzeiro

Os seus livros são um tesouro precioso, brilham mais do que o metal mais valioso:

1986, Eu falo em chamas, Galeria Gilde, Guimarães, prefácio de André Coyné.

1989, Desaforismos, Lisboa

2000, O que a luz oculta, Porto

2001, Viagem sem regresso, Lisboa

2001, Galeria de Espelhos, Mérida

2001, Local onde o Mar naufragou, Edições Prates, Lisboa

Toda a sua poesia está reunida em 3 volumes editados pela Quasi, entre novembro de 2002 e 2004, coordenados por Isabel Meyrelles.

Cruzeiro sabe como influenciar as regiões mais opacas da realidade pelas quais disseminou o deslumbrante rio de sangue dos sonhos. Descobridor de segredos, independente intelectual, irredutível nos seus próprios conflitos. Surrealista abrangente, decente e limpo, coração de relâmpagos e delírios, ereto, ascendente: uma virtude portuguesa no cume do tempo.

Ninguém construiu o mito de África com tanta magia, profundidade e emoção. Tudo é compreensível, exceto a miséria que ofusca a sua grandeza. É grande, por um certo sorriso dos céus, pela caprichosa clemência do fogo.

Cruzeiro é um emblema universal da liberdade, da gracia. Tem carisma. Federico García Lorca, na sua conferência de 1933, Teoría y juego del duende, diz: "el ángel da luz y la musa formas … al duende hay que despertarlo en las últimas habitaciones de la sangre".

Cruzeiro atingiu com clareza o axioma que lhe pertence: "A liberdade está dentro de nós, ou não está em parte alguma". Isso é Cruzeiro Seixas: um triunfo, um acontecimento; poesia, liberdade, ética, compromisso; tem carisma, tem duende. Recetor do surrealismo universal ele é o seu difusor, o seu guardião, o seu fogo, a sua respiração.

A sua grande coleção instalou-se na Fundação Cupertino de Miranda, em Vila Nova de Famalicão. A sua importância como autor necessita entusiasmo para a sua divulgação. Como liberal que sou, nada peço ao Estado. Sim, as instituições privadas devem comprometer-se com esta maravilhosa obra e tornar possível a sua expansão. Quanto mais cidadãos a partilhem, mais amantes da liberdade e defensores do pensamento, haverá. O seu a seu dono.

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